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Raquel Terezinha Araújo
Belo Horizonte / MG

Grito

Hoje pensei em falar sobre o amor;
Busquei em meu coração palavras e não as encontrei;
Então pensei: será se as decepções calaram meu coração?
Será que me deixei emudecer pelas duras canções desentoadas

que meu coração tem dançado?
Será?
O que será que tornou meu vocabulário sentimental essa pobreza?
Não sei...
Não encontro palavras, não encontro respostas, não consigo ouvir absolutamente nada que satisfaça minhas indagações;
Não consigo falar...
Não consigo ouvir o amor;
Gostaria de ser poesia, gostaria que cada palavra, cada frase escorresse do meu coração e num ímpeto explosivo saltasse à minha boca para compor, numa só nota musical, a mais bela das canções: o amor;
Mas parece que é impossível...
É difícil cantar, falar, dar vazão a versos harmônicos;
As frases têm sido construídas, as palavras costuradas;
Risco, rabisco, torno a riscar, e, por fim, volto a calar;
O amor não tem sido palavra em minha vida...
Meus versos já estão mudos, meu vocabulário está gasto, e o amor?
O amor tem ficado em algum canto que não sei, em alguma frase que não terminei, em algum verso sem rima;
É... meu coração não tem sabido rimar amor nem mesmo à dor;
É triste?
Não sei...
Meu coração não sabe, meu coração não dispara, meu coração não sente, só pulsa compassivamente um refrão silencioso...
É...esse silêncio;
esse silêncio é tudo que meu coração agora tem pra falar.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008