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Gilvanio Correia de Oliveira
Itanhem / BA

Sol nascente

Surge o Sol no Oriente. Cá estou eu, crente
Que ele nasceu para todos.

A Terra segue girando e eu aqui esperando
O Sol a me iluminar.

Iluminou o continente Asiático, mas eu não fiquei estático
Enquanto ele estava distante.

Iluminou a Oceania. Enquanto aqui a vida seguia
E a nossa Terra girando.

Enquanto a Europa era iluminada a vida no planeta não parava.
Cada um com seu destino. De onde partiam as embarcações
Com objetivos, sem direções.

A África, com sua pobreza, maquiada pela natureza,
O Sol também viu passar. Foi perdendo em atos fatídicos
Os negros, para os caminhos marítimos se vendo desafricanizar.

Ao iluminar a América, de Cabral e Colombo,
Viu os índios brasileiros sofrerem chicotadas no lombo
Restando aos negros, vindos da África, se refugiarem nos quilombos,
Ou, também, mudaria de cor cada milímetro do seu lombo.

Deus fez o SOL para TODOS, mas o branco e os ricos
Tamparam-no.

Ao povo-massa restou a escuridão, e uma luz no fim do túnel:
A LUZ DA ESPERANÇA DE UM NOVO TEMPO:
Sem escravidão, sem ditadura, sem guerras, sem desabrigados,
Sem fome, sem seca, sem ódio, sem egoísmo,
Onde o SOL
R E A L M E N T E
Possa BRILHAR para TODOS.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008