Átila
Siqueira
Belo
Horizonte / MG
Esperança
dos tolos
Eu
queria ainda ter a esperança dos tolos
E não ter conhecido Nietzsche e Foulcaut,
E assim, do mundo não ter visto a realidade.
Gostaria ainda de acreditar em um mundo melhor,
Sem tantas tristezas e sem tanta dor.
Gostaria
ainda de acreditar em utopias:
Igualdade, liberdade, fraternidade e amor.
Gostaria
de ainda de ser criança, adolescente,
E ainda ter aquele sonho juvenil e demente
De mudar o mundo com sonhos, palavras e idéias,
De fazer revoluções, derrubar a velha guarda
E tornar o mundo um lugar de beleza e esplendor.
Eu
ainda queria ter o sonho dos loucos, a esperança dos tolos
E ainda me levantar para lutar por tudo aquilo,
Por todos aqueles sonhos que eram a minha própria vida,
E que hoje perderam o aroma e o sabor.
Eu
queria viver ainda de literatura, poema e História,
E discutir política e idéias, após a Escola,
Com meus amigos cabeludos, como eu era,
E não ter que pensar no maldito e alienante labor.
Eu
queria ainda ter dentro de minha alma
A coragem de minha época entusiasta,
E ter no peito aquele antigo e tão forte vigor.
Eu
queria ainda poder acreditar em felicidade,
Ter os meus sonhos tão bobos da mocidade,
E sentir dentro de mim aquele mesmo antigo calor.
Eu
queria não ter a alma mais congelada,
Que ela voltasse à antiga versatilidade
E que eu pudesse ainda ter a esperança dos tolos
E voltar a ser um poeta sonhador.
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