José
Luiz da Luz
Po0nta
Grossa / PR
Fragmentos
No
templo do nosso corpo, há dois altares:
Da luz que ata ao céu, e o da treva do instinto.
Da absoluta moral que regra os manjares;
e o do acre animal, de deleites faminto.
Dois
pesos conflitantes e uma balança.
O réu e a vítima, na mesma verdade:
Pois que em parte nós somos a temperança;
mas na outra face nós somos a ebriedade.
Férvido
paradoxo do bem e mal.
Amor e ódio disputam-se às ventanias:
Pois que em parte nós somos luz divinal;
mas na outra face somos noites sombrias.
Somos
joio ou trigo na gleba que andamos.
Já choramos, sorrimos, nos dois extremos:
Porque parte da vida é o que plantamos;
porém a outra parte é o que nós colhemos.
No
mapa da vida, dois caminhos temos.
O do amor, ou da dor, que nós optamos:
Porque parte da vida é o que fazemos;
porém a outra parte é o que nós pensamos.
De
corpo e alma existimos e compomos.
No chão seguimos, mas para o céu olhamos:
Pois nos construímos parte do que somos;
porém a outra parte do que nós sonhamos.
Na
estrada há montanhas de frio sopé.
Ora tropeçamos, ora as transportamos.
Porque em parte somos alma e temos fé;
mas em parte somos corpo e duvidamos.
|