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Giulia
Martinovic
Rio
Claro / SP
Fugitivo
Sou um pássaro de gaiola
Abandonado no coração do deserto
Sob o castigo do sol.
Minhas asas estão feridas e vertem sangue,
Não posso alçar vôo - é inútil tentar.
Meu canto silencioso, raramente é percebido,
E minha pequenez seria destruída
Com uma só dentada.
De mim ninguém se lembraria, senão as fadas
Silenciosas como vento de estio
Que pintam as nuvens do céu e me protegem
Nesta longa caminhada.
Quanto mais exploro o horizonte, menos vejo
Só há areia em todas as direções
Que a cada passo me queima.
Não há mais escolhas, e isto me desespera;
Caminhando para diante ou para trás,
Lenta ou rapidamente
Retorno sempre às mesmas dunas!
Ao descobrir que o oásis de sonhos
Era constituído de vapor,
Amadureci tal qual um fruto,
E a cada dia, me aproximo da queda fatal.
Será tarde quando me encontrarem,
Soterrado pela areia vingativa
Assim como outros milhares:
Destino inevitável.
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