Regulamentos Como publicar Lançamentos Quem somos Edições anteriores Como adquirir Entrevistas
 
Antologia on line
 
 

Fernando Freire
Gama / DF

Para um cão morto

Um cão morto
na rodovia
em plena manhã
de julho.
Acintosamente morto
na paisagem dominical,
caninamente morto
sem missa ou funeral.

Um cão sem rimas
ou qualquer aliteração,
apenas carne morta
em desconstrução.
Outrora puro movimento
agora pasto de vermes,
matéria-prima da poesia.
Quem concedeu a este cão
a liberdade de morrer neste dia
sob o sol
desta manhã fria

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008