Um cão morto
na rodovia
em plena manhã
de julho.
Acintosamente morto
na paisagem dominical,
caninamente morto
sem missa ou funeral.
Um
cão sem rimas
ou qualquer aliteração,
apenas carne morta
em desconstrução.
Outrora puro movimento
agora pasto de vermes,
matéria-prima da poesia.
Quem concedeu a este cão
a liberdade de morrer neste dia
sob o sol
desta manhã fria