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Cláudio de Almeida
São Paulo / SP

Carcinoma

Sou das sombras a mais opaca,
A que reduz a imagem a nada
Transformando luz em sombra
No espectro desumano de teus dias.

Sou da sorte a infame mais perversa,
Que castiga os teus medos mais profundos
Mendigando na quimera do existir
Outra sina que não seja tão funesta.

Sou a angústia mais profunda,
Do remorso que corrói penantes almas
Deflorando as luxúrias recônditas
Nos abismos lamacentos de teu ser.

Sou repulsa agonizante sou cruel,
Que transforma existência em sofrimento
Neste corpo putrefato semimorto
Aguardando, sem sentido, pelo fim.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008