Vinícius Lima dos Reis
Feira de Santana / BA
Tsunami
Sinto na brisa o levante, o som marcante de teu andar.
Sopra sobre o meu rosto teu perfume, teu ar.
Vejo o anúncio do amor, a calmaria antes da tempestade.
Por que antes de nosso beijo sempre foges ao encontro de beijar?
Quando
vens, ouço teus boatos, tua volúpia afugenta os pássaros;
Tua luxúria faz-me ver.
Envolva-me com teus volumes, tua espuma, tua pluma.
Quero provar tua surpresa, salgada beleza de teu ser.
Saiam
da frente os arrastões. Morram os marinhos cavalos e garanhões!
Retirem-se os barcos, os meros e os bélicos.
Demitam os marinheiros e façam os piratas sonhar.
Diante de ti, coitada a rainha megera do mar!
Meus
olhos, pupilas dilatadas, não há mais céu!
Faltam pernas pra sustentar-me e mostrar estabilidade.
Bate alucinante meu coração acompanhando tua velocidade.
Não tenho ação nem posso criá-la, posso
apenas esperar tua chegada.
Sob
as tuas cobertas sinto tuas mechas,
Já não apenas te sinto mas vejo teu interior.
Leva-me até tuas entranhas e me afoga em teu prazer,
Faz-me provar do teu oculto oxigênio. Dá-me teu sangue,
teu querer.
Quando
passas por minha vida, são inevitáveis as feridas.
Morro sempre a cada encontro. Não me basta este, quero outro.
Vem cada vez mais forte e anula esta morte.
Dá-me a oportunidade de te merecer.
Vem
tu, onda gigante! Me enche, me cobre, me faz teu amante!
Pra ti só nome, nenhum adjetivo fugaz.
Faça valer os medos ausentes na maré rasa,
Vem, me molha! Me mata!!! |