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Maria Cláudia Gurgel do Amaral
Rio de Janeiro / RJ

Um quase nada

Fico a buscar-me no meu descanso
Fico a querer-me mas esmoreço
É que eu me junto e é quase brando
Quando não sou nem permaneço

Em transparências eu me refaço
E o meu direito é o meu avesso
Vou, misturada a algum cansaço,
Fingir que é bom todo recomeço

Vou, derramada em outro espaço,
Logo esquecer do que me enternece
Depois então, sou eu que desfaço
O que também de mim, já se esquece

Se acaso rasgo o tecido leve
E roço a pele em qualquer perigo
"O que sou eu" por muitas vias segue
E "o que não sou", faz-me de abrigo.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008