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Giulia Dummont
Taquaritinga / SP

Tela inacabada

Quisera deter a cor das auroras
quisera na mão reter a vida
quisera conter todas as horas,
tão somente me fazer renascida.

Quisera moldar a matéria dura
à perfeição de quanto existe
quisera dar forma à idéia pura
como escultor, cinzel em riste.

Ao receber alma e nome de poeta
tornei-me quieta e triste.
Assentada em formação incompleta
o artista em mim ainda resiste.

Entanto, coração em dúvidas imerso
na boca um travo de amargor
retrato letras, só componho verso
tosco na forma, imperfeito na cor.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008