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Dalva Borges
Curitiba / PR

A vida em dois compassos

Ouço o relógio, o marca-tempo,
Que trabalha e não pára
Sua máquina faz um estranho ruído
Que me penetra ouvidos adentro
De repente, como a música, seu som
Mistura-se com as batidas de um bumbo
Que no seu ofício executa as batidas mais lentas
E os dois fazem uma marcação ritmada:
O relógio exterior e o interior, a marcar.
O primeiro as ações livres
O que você pode realizar a cada instante;
O outro faz você percorrer o fio da vida
Se no primeiro você se faz,
o segundo deseja ser diferente
No primeiro você é o que é
No segundo o que não quer
O primeiro realiza
No segundo quer ser mais
no primeiro possui
No segundo corre atrás
No primeiro, é autêntico
no segundo quer ser herói
O primeiro pára e continua
O segundo pára.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008