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Borges de Assis
Curitiba / PR

Águas viradas

Só minha amada assim me faz pairar
Quando o meu ego teu olhar cativa
E o menor gesto seu põe-me à deriva
Como um navio sem leme a adernar.

Profundas águas, mares do teu corpo
Vêem em torrente minh'alma inundar
Nelas me jogo, me afundo, me afogo
Infindo mergulho ao fundo do teu mar.

Não me debato no frêmito fraco.
Tão exaurido do desejo e sanha
D'águas viradas no gesto e no jorro.

Tu estirada, eu lívido ao lado
Sob um oceano de calma tamanha
Que até morro sem querer socorro.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008