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Fabiane Mariano
Poços de Caldas / MG

O que não me cabe

Minha parte que transborda
não deixa de ser minha
É preciso transbordar para que o novo ganhe espaço
E me perdoe se meus excessos
escoam todos para você
Essa parte que não me cabe
e registra nas suas costas as minhas digitais em um desenho quase perfeito
Essa parte que não me cabe

e se prende em seus dedos com fios longos e morenos
Essa parte que não me cabe e fixa meu olhar no seu

para que minha retina retire de mim as imagens que sobram
Essa parte que não me cabe
e escorre pelo canto da boca no encontro da sua
Essa parte que não me cabe, eu não quero em você
Quero livre de mim
Essa parte que não me cabe não é um presente para que minha ausência não seja sentida nas suas horas distantes
Essa parte que não me cabe é a parte que transborda para me esvaziar
Só aquilo que é cheio transborda, meu amor
Essa parte que não me cabe
me faz vazia para me renovar, para me refazer inteira, me (re) surgir mulher
Não se engane, o que não me cabe não deixa de ser meu
e isso ninguém tirará de nós

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 50 - Novembro de 2008