| |
Rogério
Souza Vicente
São
Paulo / SP
Não
sou eu
Não sou eu.
É um não sei o quê que há em mim,
Que precisa dizer coisas
Que de tão enterradas lá no fundo,
Nem eu sei o que são.
É
como se fosse algo quente,
Gerando pressão no meu espírito,
Fazendo ferver aos poucos
As palavras, segredos e mentiras,
Que eu jurei jamais contar.
Não
sou eu,
Mas também sou.
Eu também quero dizer
Todas aquelas coisas que fervem
Na pressão interna,
E revelar tudo o que há de sórdido,
Mórbido, e um pouco doce
Dentro do meu ser.
Não
sou eu,
Mas antes fosse.
Pois aí, haveria alguma verdade
Nas palavras colocadas na folha de papel,
E isso não seria uma tentavia vã
De me esconder por detrás de uma caneta.
|
|
|