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Paulo Gustavo Loureiro Ouricuri

Rio de Janeiro / RJ

Soneto a Augusto dos Anjos


Poeta triste, tua mente foi brilhante
Declamando sonetos, arrebata
Métrica e verso grave, a pura nata
A poesia de uma vida cambaleante

Vencido, Vencedor, tu foste tudo
Anunciaste aos Anjos todo o teu gênio
A tenaz força que tinhas, contudo
Cedo se foi, ficou vazio o proscênio

A mão que afaga, o escarro após o beijo
Versos órfãos badalam, incessantes
Nas esquinas, nas casas, ruas distantes...

Nos poemas, a tua dor não teve pejo
Escancarou-se a todos, pelo gládio
De uma pneumonia, mortal pedágio

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 49 - Outubro de 2008