Márcio Antonio Dias
São Lourenço
/ MG
Teia
da vida
Notei
que havia um menino assentado;
Olhava tudo correndo ao seu lado.
Ali, sempre calado e muito atento,
descobria a vida em cada momento.
Via
o pode-não-pode para sua idade
e as leis que regem a humanidade.
Não entendia o porquê da violência,
seu instinto se resumia na inocência.
Tudo
lhe parecia fantástico...
Mas continuava ali, estático!...
Tinha nos olhos cores de primavera
e a roupa velha toda suja de terra.
Vi
chegar ao seu espaço outra criança.
Senti no seu olhar alguma insegurança.
aquela outra grita pela sua supermãe
e o menino assentado repete: Mãe... Mãe...
Seu
silêncio é quebrado nesse instante.
Entre choros e risos, já foi o bastante.
Ele se levanta e uma lágrima desce.
Quis sair... Voltou. A ansiedade cresce...
E
como num passe de mágica,
uma vida nova sem prática
Cai na teia que o tempo tece,
cresce, aprende e desaparece. |