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Márcio Antonio Dias

São Lourenço / MG

Teia da vida


Notei que havia um menino assentado;
Olhava tudo correndo ao seu lado.
Ali, sempre calado e muito atento,
descobria a vida em cada momento.

Via o pode-não-pode para sua idade
e as leis que regem a humanidade.
Não entendia o porquê da violência,
seu instinto se resumia na inocência.

Tudo lhe parecia fantástico...
Mas continuava ali, estático!...
Tinha nos olhos cores de primavera
e a roupa velha toda suja de terra.

Vi chegar ao seu espaço outra criança.
Senti no seu olhar alguma insegurança.
aquela outra grita pela sua supermãe
e o menino assentado repete: Mãe... Mãe...

Seu silêncio é quebrado nesse instante.
Entre choros e risos, já foi o bastante.
Ele se levanta e uma lágrima desce.
Quis sair... Voltou. A ansiedade cresce...

E como num passe de mágica,
uma vida nova sem prática
Cai na teia que o tempo tece,
cresce, aprende e desaparece.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 49 - Outubro de 2008