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David Manuel Gomes Amorim
Viseu / Portugal

O terno


O Manel comprou um terno
Às riscas, e de bom assento.
Uma vez que para casamento
Que se previa eterno,
Seu aspecto selava o contentamento.

O dia estava quente
E a boda maravilhosa!
E até a dona Rosa
Por hábito funesta e repelente
Parecia esplendorosa!!

Amigos, duas centenas achados
Galanteios e pancadinhas.
Lembro-me da dona Aninhas
Gabarolando os festejados
Profetizando suas criancinhas!!

Mas com os anos passados
O Manel já não se ria
E mesmo com todos os cuidados
O terno já não lhe servia
Sofria!

Dona Rosa piorara
Do seu aspecto merdoso,
Até um amigo aconselhara
Deitar fora o jacoroso
Que em bom tempo tanto estimara!

Então lá se viu o rapaz
Mais solteiro e despojado.
Já não é o mesmo amado
Daquele dia fugaz
De terno bem alapado.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 49 - Outubro de 2008