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Glória Brandão
Itabuna / BA

Um verso chamado mulher



Nessa vida só amei
Quem não amei não odiei
Sempre que amei foi sem angústia
O amor não comporta aflição
Então, não blasfemei por amor
Não roubei o amor de ninguém.

Cantei canções com o vento
Dei beijos na face do sol
E não queimei os meus lábios
Fiz poema para lua
Fiz, enquanto a cidade dormia.

Plantei flores no meu coração
E quando despi minhas pétalas
E quando perfumei como rosa
E quando endoideci de emoção
Não perdi o juízo nem desvirtuei a paixão.

Se eu magoei alguém, magoaram-me também
Fui uma tela em policromia
Mas não fui um traço qualquer
Fui acorde cheio de luz e alegria
De um verso chamado mulher.

 
     
 
Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 48 - Agosto de 2008