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Úrsula de Almeida Vairo Maia
Belo Horizonte / MG

Sentimentos que abrigo

Como não falar de dores profundas ?
O coração bate em cadência miúda, pungente
De cuidados, ó órgão falante, te abundas
O que é essa vida senão agonia da gente ?
Senão uma leve e momentânea tribulação ?
Um correr desenfreado, lépido
Onde a vaidade é a principal atração

O que há no mundo senão aquilo
Que poderia existir de outra forma
Apelo ao estado original
Sem mancha, sem borda
Sinceridade global

Ó Criador, com Tuas habilidosas mãos
Teceste os mundos
Criaste o ser humano
Com seus mistérios profundos
Para onde irei a fim de fugir do Teu espírito ?

Tu perscrutas todas as moradas
À procura de alguém que Lhe ofereça
Lágrimas de amor derramadas
Prepara-me, pois, um lugar de aconchego em Teu leito
Onde Tu hás de calar as dores em meu peito.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 47 - Julho de 2008