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Marcelo Silva Santos
Niterói / RJ

Eu quero ver negras

Eu quero ver negras nas praças, nos bares nos mares
Voando pelos ares, como anjos negros

Eu quero ver negras
Doando, amando
Não quero ver negras chorando
Nem por amor.

Eu quero ver negras
Do Sion ao Salesiano, orando

Do Candomblé ao Protestantismo
Negras ensinando, estudando, trabalhando
Negras finalmente, ganhando

Da Engenharia à Arte
Eu quero ver Negras construindo, medindo, pintando, esculpindo, quero ver [negras criando

Eu quero ver negras
Sorrindo, beijando e se assanhando

Na Música
Eu quero ver negras no reggae, no rock, no samba, na valsa e congado
Quero ver o Cantuá iluminando

Eu quero ver olhos negros, sentir pele negra, negras nuas e negras luas

Eu quero ver negras,
Negras parindo filhos de negros
Negras de branco, branco com negras
Quero ver negras nos bancos
O que eu quero mesmo? Ver um primeiro-mundo mestiço.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 47 - Julho de 2008