José
Faria Nunes
Caçi
/ GO
Cronologia
da paixão
Criança,
aos cinco anos,
apaixonei-me pela tia de maioridade.
Ela me via uma criança - nada mais.
Aos
dez apaixonei pelas primas
do outro lado do rio. Invejava
os primos ricos que diziam
brincar de médico com as filhas
do dono da pensão na cidade.
Pré-adolescente
apaixonei-me pela bola
e pelos banhos na barrinha
e no porto do rio Claro.
Neste em uma de inúmeras travessias
por pouco não atravessei
para outra dimensão da existência.
Juventude,
maturidade
paixões e paixões nas rotações
e translações do coração. Paixão
pelos livros, pela poesia,
por moças e moças e o coração
terra estranha e de incógnitas razões
a navegar o infinito da esperança
a cavalgar o dorso da incompreensão
desconheceu, sempre, o bálsamo,
o lenitivo do milagre do poder
de amar e ser amado
na intensidade dos anjos.
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