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André Luís Bonfim Sousa

Fortaleza / CE

Ao velho palhaço

Após seu derradeiro número e
em meio as suas incontáveis memórias,
eis que surge o velho palhaço no centro do picadeiro.

Seu choro ecoa pelos liames do circo enquanto suas lágrimas limpam suavemente a maquiagem de seu rosto, revelando sua inglória existencial:
ser homem, ser finito, enfim: ser.
Ser afim.

De tão dolente a cena,
o público, em pleno êxtase e às gargalhadas,
chora convicto de sua interpretação.

(...)

Com um breve e solene agradecimento em 360º ergo meus olhos marejados na direção do camarim.
Sento em frente ao espelho rachado.
Reparo na fantasia se desmanchando enquanto me dispo vagarosamente, rodeado pela poeira fantástica.
Um leve acesso de tosse me conduz a cerrar meus olhos.

Silêncio.
Silêncio.

Si.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 45 - Maio de 2008