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Alvaro Machado Monteiro

Barra do Piraí / RJ

Sabedoria de um cego

O dia inteiro amanhece, depois de uma lua bem cheia
Um homem cego ao longe sem direção vagueia
Procurando alguma claridade que nos seus olhos clareia
Vingando a luz que lhe falta há tempo e que ao longe foi embora mais cedo
E um riso rouco foge um pouco da rotina escura que o remete ao medo
Eu enxergo você com o coração
Mesmo você achando que não chegou ainda sua rendição
Nem sei se você acha se é direito esse meu apreço
E se é direito deixar que se erre, que se arrependa e se pague o preço
Não me pergunto o que é direito por isso também não respondo
Mas eu quero qualquer coisa que me não me conte um novo conto
Perguntei ao cego amigo o que fazer
E sabiamente me respondeu deixando tudo transparecer
Conheci o amor infinito e mesmo na escuridão
Eu saberia exatamente ir ao seu encontro, sua direção
Desisti de perguntar o que eu pensava que já sabia
Se te agrada ou se te espanta, vá, aqueça a luz da tua alegria
Mas não arranque dos teus olhos algo a mais que eles não possam ver
Assim verás mais alto do que possas entender
Pensando em chegar mais cedo a pouco também tive medo
Sabedoria de um cego, calmo sobre meu desespero
Me falou baixinho meio que em segredo
Não procure distante o que já tens do teu lado
Não esconda teu sentimento, não remarque o chão do teu passado!

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 45 - Maio de 2008