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Emídio Pinheiro da Cruz

Rio de Janeiro / RJ

Caserna escura

I
No dia três de Abril,
Tu não podes me lembrar...
Quando penso nesse dia,
Dá-me vontade de chorar.

Fiz a minha despedida,
A minha família ficou a chorar...
Comecei nova vida no quartel de militar.

Adeus! Adeus mocidade!
Adeus ao pai e à mãe...
Saudade! Tenho saudade...
E do meu amor também.

Quando eu assentei praça,
(Ficou logo à direita...)
Cortaram o meu cabelo,
Foi a minha primeira desfeita.

II
O tempo passou...
Despedi-me da espingarda,
E da mochila e da farda,
E da caserna escura.

Não faço mais continência,
Já perdi a paciência,
Das horas de formatura.

Adeus, oh Mafra, terra da desgraça,
Onde eu fui parar...
E adeus convento,
Eu levo no pensamento,
Um dia não mais voltar.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 45 - Maio de 2008