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Wátila Misla Fernandes Bonfim
Dianópolis
/ TO
A
festa
Que
fosse assim:
viessem de onde estão
todos os poetas mortos
(as poetisas também).
Com seus grilos de infância,
as histórias de Robinson Crusoé,
o mar, ah o mar...
com cem milhões de conchas ritmadas.
A rua do sol em dia de chuva,
camelos tique-taques com lições de promessa,
o beco soturno,
a ponte devagar do interior,
versos que falassem de amor
dos que aceitam melancolicamente
(e dos que não aceitam também).
E tudo de mais eterno e lamurioso que existira.
À meia luz todos se sentariam
muito discretamente:
—Traz-me um conhaque!
— Se tiveres um charuto cubano!
Alguns prefeririam o ostracismo,
outros namorar a lua,
as poetisas, o oceano.
Outros criticar o futuro, a morte, a vida após a morte
(neste país há sempre algo novo para se criticar...).
BOOM!!!
Desperto de onde estava.
Um poeta me diz:
— Estou só, poeticamente só.
E quem nunca esteve, caro amigo...
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