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Marcos José Hansen
Araras
/ SP
Canto
do poeta pobre
Vamos
viver de poesia, pobre poeta!
Vamos morrer de fome!
Vamos tirar poemas de nossos bolsos vazios
e panfletar a solidão noturna das ruas
e preencher o ócio das manhãs dos
desempregados.
Vamos construir, a pão e água,
sonetos de todas as luzes e cores,
para a ignorância das paixões efêmeras
ou para a infelicidade dos editores.
Vamos viver de fome, pobre poeta!
Vamos morrer de poesia!
Na mendicância da arte,
na indigência do dia.
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