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Marília Lopes da Paixão

Pouso Alegre / MG

Da incompreensão para a beleza

Não chore, Maria, que a dor primeira passa
Mas leva anos
Não chore uma dor que milhões virão
Nenhuma em vão...

Não se esconda, Maria, no meio da mata
Não corra, Maria, que a dor não passa
Não pule de pedras altas
Não atravesse ruas correndo
Não se deixe pela dor ir morrendo

Não reze, Maria, sozinha no escuro
Nem fique com raiva do mundo
Nem tudo é fácil de entender, Maria
Nem a vida, nem a sina, nem a morte.
Nem os lagos por onde outros nadam

Eu poderia tentar atravessar com você a ponte
Mas tenho o peso dos anos e minhas próprias dores
Não rezo como você, Maria.
Não bebo leite de cabras que eu não tenha dado crias
No mais tento fazer da sabedoria algo multicultural

Isso comece com um bom lápis de cor.
É possível colorir a dor
É possível sorrir para o dia
Não chore,
Sorria, Maria.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 45 - Maio de 2008