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Cláudio de Almeida
São
Paulo / SP
Sobras
de guerra
Dedicado
às crianças refugiadas das inúmeras guerras
tão
estúpidas quanto seus guerreiros
Pobre
criança sofrida, sem dentes, desnutrida esfarrapada.
Quanta fome, quanto medo.
Corpo corroído. Ferido. Putrefato, semimorto.
Olhos esbugalhados na face esquelética.
Só pressentem terror.
Sequer um tênue brilho de esperança.
Mãos desnudas, esquálidas,
Estendidas buscam em vão quem as segure.
Coração dilacerado.
Mal pulsa, tamanha a angústia.
Dispara por vezes, em total inquietação.
Sobras de guerra.
Criança de má sorte.
Aparência triste.
Quadro da estupidez humana,
Morrendo sempre.
A cada instante a cada olhar.
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