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Cláudio de Almeida

São Paulo / SP

Sobras de guerra

Dedicado às crianças refugiadas das inúmeras guerras
tão estúpidas quanto seus guerreiros

Pobre criança sofrida, sem dentes, desnutrida esfarrapada.
Quanta fome, quanto medo.
Corpo corroído. Ferido. Putrefato, semimorto.
Olhos esbugalhados na face esquelética.
Só pressentem terror.
Sequer um tênue brilho de esperança.
Mãos desnudas, esquálidas,
Estendidas buscam em vão quem as segure.
Coração dilacerado.
Mal pulsa, tamanha a angústia.
Dispara por vezes, em total inquietação.
Sobras de guerra.
Criança de má sorte.
Aparência triste.
Quadro da estupidez humana,
Morrendo sempre.
A cada instante a cada olhar.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 45 - Maio de 2008