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José Geraldo Tavares

Juiz de Fora / MG

Olhares

Para Cirene Elisa

Meu primeiro amor tinha olhos verdes, lindos.
Como pode, eu perguntava, alguém ter olhos assim?
Pudera! Responde o meu gato angorá:
-Ela, maldosamente, os tirou de mim!

Meu segundo amor tinha olhos claros, frios.
Perguntei: de onde vieram olhos assim?
A lua cheia, no céu estrelado de verão, soluça:
- Simples! Ela os roubou de mim!

O tempo chegou trazendo maturidade.
Agora é o tempo do amor definitivo, maduro.
Os amores passageiros ficaram pelo caminho.
Seus olhos, estes sim, transmitem imenso carinho.

Olhos escuros, profundos, repletos de calma.
Transmitem a idéia de uma grande lagoa serena.
Ainda pergunto: de onde vem tamanha placidez?
Ela responde mansamente: -Vem da alma!
Da segurança, do querer definitivo, sem rodeios, da vida plena.
Somente um amor assim, maduro, é capaz de tanta solidez.

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 44 - Março de 2008