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Sidney Bretanha
Arroio Grande / RS

Na janela

Na janela, na janela
Uma pedra no vidro, um olhar de donzela
Na janela, na janela
A luz do blackout, o escuro da vela
Conflito na confissão
Falsidade sincera
Que lindo é pular a janela, pular no salão
Contento a contemplação
A cortina tempera
Que lindo é tocar na janela, tocar tua mão

Na janela, na janela
Um xaxim, um cigarro, um canto à capela
Na janela, na janela
Amor momentâneo, paixão sem seqüela
Compreendo a computação
Formatando a quimera
Que lindo é quebrar a janela, quebrar o grilhão
Conjecturas em construção
O amanhã reverbera
Que lindo eu perdido já nela - perdendo a razão

Na janela, na janela
Ressaca, remorso, retrato e remela
Na janela, na janela
Paisagem urbana sem vista pra ela
Constato a constelação
Uma noite de espera
Que lindo é o luar da janela, o luar do sertão
Confiro essa confusão
Gente que degenera
Que lindo é abrir a janela - abrir o coração

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 44 - Março de 2008