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Vander Artur de Lima
Rio de Janeiro / RJ

Sempre


De tudo que já foi dito,
um tanto, não acredito.

De enganos antigos,
tecidas foram certas verdades
que ainda hoje ouvimos.

Certezas, quem todas as tem - quem?
Na alma ainda existem muitos medos
que nos fazem ver coisas nas sombras!

Nem sempre posso dizer
que pau é pau, pedra é pedra.
Sou apenas um homem,
e isso me obriga a descobrir.
Por isso nunca dou risadas,
só porque o outro ri.

Perfectível é a alma que tenho dia após dia.
Difícil continua sendo entender o infinito.
Dentro de um corpo, sigo, às vezes, o domingueiro rito,
que muitos afirmam, de joelhos, dar sentido maior ao meu sofrer.

Quanto mais existo,
mais entendo que sou o pensamento que muda,
quando um passo lanço adiante.
Atento, pois, estou a cada instante,
porque é assim que dou por mim neste mundo.

Quando ergo os olhos, penso no distante,
mas a verdade mesmo é a dureza que é viver aqui.
Nego-me, portanto, ser ludibriado pela imaginação,
escolhi pensar em tudo sempre com os dois pés no chão!

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 44 - Março de 2008