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José Luiz da Luz
Ponta Grossa / PR

Íntima visão


Eu te vejo como um anjo de ventura,
de um divino hálito que entorna ternura,
e expira as flores perfumadas de Deus.
Vota em meu seio tuas flores que encantam.
Que amo as cores, qual os colibris que cantam,
e quero o doce mel dos lábios teus

Que sublime amor. Que lágrima pendida!
É belo o cismar uma face aspergida.
Que freme e traz o sabor do coração.
Porque em minha lágrima li o teu nome,
em letras de amor, no afã da minha fome.
Porém embuço a face com minha mão!

Eu te vejo: com olhos do coração,
da alma, do amor e da minha compreensão.
Às noites puras tu és o meu Serafim;
No tórrido deserto és o meu delírio;
Dos campos és o mais setiforme lírio.
Vejo o teu áureo trono dentro de mim.

Meu eterno amor, tua eterna ventura,
que decifram do céu a sua candura.
E os dons da luz nos olhos teus eu suspiro,
e sacia das grutas do peito as sedes.
Pétreas feridas atadas às paredes.
Sorvo tua luz, às entranhas, deliro!

 
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Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - Volume 44 - Março de 2008