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Ana
Paula (21/09/1972) é artista plástica, poeta e escritora.
Tem diversas obras - poemas e crônicas - publicados nas Antologias
da CBJE.
peregrinapaula@hotmail.com
Ana
Paula teve sua crônica "O chamado" publicada no 2º
volume da Antologia Novos Talentos da Crônica Brasileira / Abril
de 2006

O
chamado
O Caminho de Santiago é uma belíssima aventura. À
medida que passei a percorrê-lo, uma forte energia foi tomando conta
de meu ser. Esse é cheio de expectativas, alegrias, tristezas,
dores, inquietações, medos, encontros e desencontros, assim
como de força, garra, determinação, perseverança,
lutas, entre outros fatores que me mostraram como deixar de sobreviver
nesta sociedade tão doida e caótica, em que encontramos,
a aprender a viver com dignidade, respeito, solidariedade e muita paz.
O meu eu, que antes estava em conflito, adquiriu ao longo desses dias,
uma intensa serenidade e leveza e, assim, pude reencontrar a minha essência.
Hoje, tenho plena certeza que sou outra pessoa. A cada passo dado, reflexões
e inúmeras respostas, fatores que me ensinaram a olhar a vida com
cautela e muita fraternidade.
Sinto que o meu coração foi agraciado por gotas de afeto,
ternura e amor, sentimentos grandiosos que estão a me levar a desenrolar
o novelo da minha existência com mais segurança e tranqüilidade.
Vejo-me a percorrer uma linda caminhada tal qual um lindo céu azul
coberto de estrelas, numa belíssima noite de primavera, onde muitos
vaga-lumes bailam entre verdes e majestosas árvores.
Ao longo do Caminho de Santiago, não só vivenciei emoções,
desvendei mistérios e dúvidas interiores, encontrando explicações
para muitas de minhas inquietações como também tive
a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e construir grandes amizades.
Em 2005, fui chamada para uma nova vida a qual tem como pano de fundo
a pintura, a música e a literatura. Meu Eu foi agraciado com grandes
emoções e sentimentos; assim, devo repassar o que aprendi
nesta caminhada.
“Dificuldades reais podem ser resolvidas; apenas as imaginárias
são insuperáveis.” (Theodore Vail)
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Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 25

Eu sei!
Eu não sabia o que
era ter.
Eu tudo tinha e eu não sabia!
... e nem imaginava
o que era não ter
Eu tudo tinha;
tinha você para zelar
... meu sono
e me deixar voar
... longe
e poder sonhar alto
e aterrizar segura em seus braços.
Eu não sabia o que era sofrer.
Eu tinha o seu amor
para poder crescer.
Eu não sabia
... e nem imaginava
minha vida sem você.
Eu não sabia o que era dor.
Eu tudo tinha;
tinha você para me amar;
tinha você para amar;
tinha você para amar
tudo que eu dizia
e poder amar tudo que eu fazia.
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Livro de Ouro da
Poesia Brasileira Contemporânea - Edição 2006

Caminhar
com teu olhar
Acordar e... não te tocar.
Levantar e... não te ter.
Despertar e... não te sentir.
Abri os olhos e... não te olhar.
Pra que andar... se não tenho pra onde ir?
Pra que ir... se não tenho como chegar?
Tento caminhar... para algum lugar
mesmo não tendo como chegar;
mesmo não sabendo o que procurar,
saber o que devo fazer,
sem poder saber como fazer.
Para poder ir... para poder um dia
tentar chegar?!...
Caminhar... Para poder ir;
procurar onde fica o meu lugar e...
poder chegar,
para poder fazer.
Para acordar e... te tocar.
Levantar e... te ter.
Despertar e... te sentir.
Abrir os olhos e... te olhar...
e te amar...
e caminhar com teu olhar;
e andar com o teu sentir;
e voltar para te tocar!
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