Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 27

Metamorfose
Quando a noite enfim chegou
e teu olhar pousou em mim
meu corpo incendiado
como um casulo enfeitado
de fitas e de cetim
rendeu-se ao teu encanto
e entre prazer e espanto
no teu amor renasceu
e enquanto o sol dormia
antes que chegasse o dia
num céu quase azul violeta
eu deixei de ser lagarta
para ser tua borboleta
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Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 31

No
calor da madrugada
Quando
chegar a madrugada
e meu corpo em ti buscar o amor
vou desenhar-me em tua pele
e antes que a manhã se revele
sorverei o teu sabor
seremos além de amantes
comandados
comandantes
a caça e o caçador
Quando
chegar a madrugada
vou salpicar de estrelas
teu suor sobre o lençol
e em suave melodia
no encontro da noite com o dia
serei a lua
e tu, o sol
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Antologia
de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 33
Corpo
e alma
dói
em mim não ter
o sorriso dado
a palavra dita
essa saudade infinita
que queima e arranha
a todo instante
(eterno amor
ou dor constante?)
dói
em mim saber
que não me queres ver
não me precisas ter
dor que inunda meu corpo
dilacera a alma
coração partido
amor perdido
espera
e mesmo
que não mais me fales
a tua voz ecoará, sim
em cada poro
nesse rio sonoro
que escorre em mim
pois na eternidade do tempo
na agonia da chuva
no farfalhar do vento
no lamento do trovão
à meia-noite
no tilintar dos copos
nossos corpos
tão distantes
silenciam e se tocam
somos tu e eu
sincronia
sintonia
corpo e alma
luz e breu.
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Antologia de
Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 35

Que
curso tomou meu rio?
de todos
os rios que desaguaram em mim
foste o único a passar inteiro
nascente
confluência
porém, na tua essência
cristalino
imponente
buscaste em afluentes
às margens de outro amor
esquecer o teu passado
acidente geográfico
inundando-me de dor
e assim
desaguando em outros leitos
imperfeitos
represados
chegaste, enfim, à foz
poluído
poluente
foi o fim
perdemos nós
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Os mais belos
Poemas de Amor - Edição 2007

Pudesse eu amar-te agora
pudesse eu amar-te agora
não repetiria gestos nem palavras
só meus olhos a implorar aos teus
o desejo de não ires mais embora
pudesse eu amar-te agora
e te fazer sorrir cada vez mais
seria eu teu mar, o teu veleiro
a aportar em mim, teu templo, o cais
e envolto nos meus braços,
teu abrigo
por amar-te tanto eu te diria
da memória etérea desse amor antigo
transformaria em rima
as lembranças
e reescreveria em cores nossa história.
ah!... pudesse eu amar-te agora!...
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