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Galeria de poetas publicados
 
 

 

Alexandre Spinelli
Porto Alegre / RS

     
 
PUBLICAÇÕES
 

Alexandre nasceu em 01/09/1970 em Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo. É Analista de Sistemas e apaixonado por artes, principalmente por música, teatro e literatura. Apesar de escrever desde seus 17 anos, só tomou coragem para publicar seus poemas em 2003, quando colocou alguns num calendário, distribuído como brinde de sua empresa. Já em 2004, junto com os músicos Otávio Santos e Carolina Zingler, criou o espetáculo “Canções do Silêncio”, que mescla músicas com poesias.

spinelli@spinelliinformatica.com.br


Alexandre teve o seu poema "O que eu coso?" escolhido como um das 100 melhores poesias de 2006, sendo publicado no Panorama Literário Brasileiro - Edição 2006/2007 - BrLetras





 

 

 

 

 

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 9

E era assim

E era assim:
Se tinha que chover, chovia
Mas na quantidade certa
Para crescer as plantas, sem destruir as casas
Para encher os rios, sem quebrar as plantas
Irrigar a terra, sem transbordar os rios

Na quantidade e na hora certa
Não pegava ninguém desprevinido, indo trabalhar
Mas quando estavam voltando para casa,
Para refrescar, depois de um dia cansativo
Ou de noite, aquele barulhinho bom na janela

Se estivesse fazendo sol, não era demasiado
Nunca aquele calor insuportável
Só nos finais de semana, para aproveitar
[ melhor o passeio
O mar, o rio, a caminhada
Sempre uma sombra disponível e fresquinha
[ para quem quisesse parar um pouco
Sentar, tomar uma água, saborear uma fruta fresca
E pensar no nada, o que há de mais profundo
Curtir a vida, mesmo parado

A existência E digo que mesmo sendo assim
Praticamente perfeito, como todos sonham
Mesmo assim, todos reclamavam do tempo.

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 10

Feche os Olhos

Sei que não me amas
Sei que tens teu marido
Teu namorado, noivo
Sei que somos apenas amigos
Como dizes, e tentas acreditar
Sempre fomos só amigos
Nada mais do que isso
Se acredito ter algo mais
Fui eu quem criei sozinho
Nunca me deste motivo
Eu é que fantasio demais

Tu me dizes, eu acredito
Realmente não deves me amar
Pareces tão convicta

Mas, como amigo
Preciso te dar um conselho
Um único conselho
Que só mesmo um amigo
A uma hora dessas, daria
Feche os olhos
Enquanto dizes que não me amas
Feche-os
Pois eles estão mentindo

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 11

Vem brincar comigo

Vem brincar comigo, vem
Podemos brincar com algum de meus brinquedos
Ou ainda com seu brinco
Vem brincar
Brinque de ser meu inimigo, o pior deles
Ou ainda de ser meu herói
Pode ser o mais corajoso
Ou o mais atrapalhado
Tanto faz, mas vem
Brinque de ser meu pai, minha mãe
Irmã, filho, mas vem
Brinco com você do que você quiser
Quero rir com você, mesmo que seja da minha cara
Não me importo, eu também rio dela
Quero que venha, que me faça companhia
Nem que no final briguemos até a próxima brincadeira
Pois crianças são assim: brincam de brigar

Vem dividir este momento comigo,
Abre teu sorriso, me deixa ouvir sua risada
Aquela gargalhada mais gostosa seria meu melhor presente
Vem, brinque comigo
Do que quiser
Todas as brincadeiras eu aceito, eu vou contigo
Só te faço um pedido:
Não brinque de me amar

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. 23


O que eu coso?

O que que eu coso?
Linha e agulha
Objetivo e objeto diferentes

O que que eu pesco?
Isca e anzol
Esperança e peixes diferentes

O que que pinto?
Tela e pincel
E este quadro que saiu
Veio de onde?

Onde estava o peixe que pesquei
O produto que fabriquei
A obra que criei
Onde estavam?

Não eram os planejados, os esperados
Não foram projetos
Mas são melhores que as idéias
São maiores que os objetivos iniciais

O que construo em minha vida
Que caminho percorro?
Não sei o caminho
Não sei para onde vou
Muito menos o que será construído

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Antologia "Os mais belos Poemas de Amor" - Edição 2006

 

Explicar o amor

Querem que lhes explique o que é o amor?
Quem poderá fazê-lo?
Quem terá palavras para descrevê-lo,
Traços para desenhá-lo,
Música que nos faça senti-lo completamente?

Não há um perfume que o identifique, embora existam tantos
Um livro, uma obra de arte ou de engenharia que se assemelhe a ele

Se me pedirem para cantar o silêncio,
dançar com o que há de mais imóvel,
Tudo seria mais fácil, seria imaginável,
Mas, explicar o amor...

Posso querer dizer como ele age, mas ele age de tantas formas.
Posso ousar falar sobre como ele chega, mas sei que não há regras.
E que para cada um pode acontecer de maneiras tão inesperadas
(Ou até mesmo programadas, o que é ainda mais inesperado)

Explicar o azul para quem nunca o viu
Fazer entender o gosto do mel para quem nunca o provou
Por mais eloqüente que seja,
Por mais técnicas que utilize,
Só entenderá quem o viu, quem o provou.

Quanto ao amor, o que posso dizer é o mesmo:
Provem!

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