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Renato
Carlos Dias
São
Paulo / SP
Divã
-Por que o senhor está aqui?
-Bem doutor, ando me sentindo culpado, com um vazio no peito.
-Mas por quê?
-Não sei, mas minhas vítimas não me satisfazem
mais. Não tem a mesma emoção de antes.
-Hum, interessante! Isso começou quando?
-Na última Lua cheia, em um bairro aqui próximo. Matei
mais de cinco, e nenhum fez efeito. Não queria parar, foi difícil.
-Nossa, curioso esse caso. O que fez você parar?
-A lua Doutor. A lua. Ela me iluminou tanto, vermelha, grande. Ela
ofuscou qualquer pensamento de violência que eu tinha naquela
hora. Foi magnífico!
-Estranho, nunca ouvi falar de alguém como você, que
admire ela. Todos a odeiam.
-Affe! Puros idiotas, doutor; não sabem o que perdem. Vivem
reclamando, chorando. Não sabem aproveitar.
-Legal, mas quanto ao seu caso, não sei o que é. Infelizmente,
você continuará a matar. Afinal, é o que vocês
fazem, não?!
-É, doutor, acho que sim. Por falar nisso, que horas são?
-Quase 18 horas, por quê?
-Sabe o que acontece às 18 horas?
-Não, o quê?
-Escurece, doutor, e no escuro vem ela e com ela minha fome...
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