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Roseane
Suely Pinto Marques Ferreira
Belém
/ PA
A
Alva da praia
O porteirão
era a praia. Quintal e praia. Rios e quintal. Não tinha mesmo
era fronteira. Os limites do seu lar suplantavam um certo infinitar.
Sua tela da janela era entre o verde e o azular. Chuvas e sol eram
o decorar. A moldura era contorno de alvo - alvejar. Buscava do mar
alimento, vinha de lá seu alegrar e as razões do suspirar.
Corria pelas vielas do povoado, a Alva acasalava com o mar.
Como que em alvo cio no mar ela se sumia. Mergulhava a luz da lua,
no Rio desaparecia. Passado um tempo que não se conta, lá
vinha a Alva, cabelos negros molhados, pele viçosa, rosada.
Satisfeita, aroma de ter derramado. Povo era ensimesmado, aonde ela
ia quem a copulava? Ela nunca namorara. Mas o viço era perfeito.
Eita mulher fogosa acesa daquele jeito. Um moço afiançava,
em nome de Deus jurava o moleque de Alva em surdina nasceu, barriga
ninguém percebeu. A quem pode enxergar,viu, a constatar, ele
tinha nos pés abas de nadar. Era lisinho, viscoso recendia
a pitiú, a Alva o rebento ocultava, nunca ninguém os
olhos lhe botava. Homem que a procurava ela logo despachava e sempre
ele reclamava de sentir nela entranhado cheiro de quem ajuntava. O
mar, ou seja, quem fosse os seres que ela se deitava,enchiam de inveja
os homens que se punham a procurar o rival sem encontrar... Teve até
quem quis a força a Alva segurar, mas de tanto deitar com o
mar a moça lisa também era, ninguém conseguia
pegar. Aquela pele branquinha ao tocar era um sabão, nas mãos
escorregadia, tentadora punição. Um dia as coisas arrumou,
se rindo pegou seu rebento parecia que se ia, a casa velha trancou.
Bem de madrugada foi em silêncio e assim contente, ninguém
a viu sumiu,dizem que nas águas do rio. Vilarejo intrigado,
não dorme pescador de madrugada, morador ficou cismado todos
ficaram embriagados só espertos com sol alto. Neste dia ninguém
pescou, peixes fugiram das redes, os homens assim atraídos,
largavam suas famílias para água eles iam, e lá
todos se condoíam e naquele dia a água, exalou um cheiro
forte. Do gozo intenso dos homens da mulher, do mar o sexo. Tem gente
que diz que viu, tem gente que diz que ouviu. Há quem tenha
pegado o pitiú respirado. Eu mesma só sei que ouvi lá
nas bandas onde morava. De pescador ou de mar, de verdade ou de mentira,
rios que guardam seus segredos, águas, lugar de degredos.
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