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Ismar
Carpenter Becker
Rio
de Janeiro / RJ
Cornélio Rufino, o último
a saber
Cornélio Rufino era metido a garanhão,
desde jovem se achava o máximo com as mulheres. Nas rodinhas
de conversa masculina só se ouviam as suas histórias
de conquistas, mas na verdade era um mentiroso,uma abelha de padaria,só
ousava pousar nos doces e nada mais. Com o seu pega-rapaz na testa,
cabelo alinhado com gumex, seu perfume alfazema e camisas coloridas,
lá ia ele pelas ruas da cidade.No colégio queria ser
o bambambã, dava cantada até em poste, se considerava
um galã, mas era baixo, roliço, parecia um personagem
infantil de contos de fada, não rejeitava nada,a té
senhoras idosas ele assediava com seu hálito de pastilha Valda,
sempre assobiando Nat King Cole. Passou a juventude, virou adulto,
resolveu se casar. Um dia conheceu uma morena estonteante, mais rodada
que carro de aluguel, como não era preconceituoso, casou-se,
meses depois, já ostentava uma bela galhada na testa. Por onde
passava ouvia risos, mugidos, palavras como “lá vai ele,
cuidado com a rede elétrica...” Um dia, avisado por um
amigo,viu sua bela amada saindo de um motel e na calçada de
mãos dadas com um marujo todo tatuado, e ela então disse:
“este é meu primo, o Ricardão de Honório
Gurgel”. Cornélio não aceitou a desculpa e depois
de seis meses terminou o casamento. Depois de muita depressão,
resolveu se casar de novo, arranjou uma loira de farmácia e
foi à luta, não demorou de novo surgiram os boatos de
traição. Recebeu no aniversário uma boina com
dois furos, era chamado de anfitrião, ouvia piadinhas, nem
ligava e a sua linda loira passava ele para trás sem cerimônia.Um
dia, observa a sua mulher entrar num motel com um jovem sarado, marombado,
pega os dois em situação crítica, ela rapidamente
diz “estou fazendo um filme pornô para aumentar a renda
familiar”.Cornélio Rufino refletiu por um ano e terminou
o casamento. Agora só sexo via internet, virtual, é
seguro e não corre o risco de doenças sexualmente transmissíveis.
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