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Bruno
Resende Ramos
Teixeiras
/ MG
As
namoradas
Era escritor e arranjou uma nova namorada para fugir dos assombros
de sua mente tão imaginativa e perturbada... Ela, uma garota
liberal e um tanto arredia.
Kerlusa tinha mania de estalar os dedos. Ele a pediu pela primeira
vez encabulado para que cessasse os seus estalinhos. Pronto, a garota
descobrira uma forma de chamar sua atenção. Irritou-o
mais uma vez naquele encontro. Quando em outro encontro repetiu novamente
a atitude, Kerlusa viu, em seu desconcerto, uma mínima contração,
rápida e quase imperceptível, dos seus músculos
faciais. Para relaxar nada mais conveniente do que ouvirem música
juntos – sugeriu. Nos intervalos entre as canções,
Khrummer percebeu que ela os estalava novamente. Tinha, agora, o que
queria: a sua atenção. Queria provocá-lo para
que a tomasse em seus braços. Os estalos seguiam rítmicos,
sonoros, profundos, permeando sua psique num manifesto insólito
de tensão e avidez. Sim, avidez... Por mais, só mais
um estampilho. As veias na fronte excitadas pulsavam descontroladamente.
Agora faziam eco os estalos em seus ouvidos... Uma outra canção
brotava ao som de tambores em seu instinto. Não percebendo
seu estado, agora, aparentemente, bem mais tranqüilo, Kerlusa
o seguiu pelo caminho do solar que leva à biblioteca de livros
exóticos. Lá, além de uma grande e acolhedora
sala, a presença de objetos um tanto enigmáticos formavam
uma bela composição junto à mobília portentosa
e antiga do solar...
Perguntou a ele:
- O que é que você tem aí, Khrummer?
- A lembrança de minhas namoradas...
Enciumada, agora sobre uma mesa, abriu as pernas e o cercou com sua
intrepidez e a libido.
- Mostra, vai bem, mostra! Quero um dia ser personagem de seus livros...
Nestas estórias que te valeram prêmios. Venha, faça
de mim sua protagonista preferida... Seu tesouro. Ah... Vai bem, me
maltrata... Anda, vai, mostra!
Ao abrir a mobília portentosa e que guardava ao centro um grande
acervo de OBRAS, descobriu seu destino. Iam as mãos e os dedos
em sanguínea formação, compondo junto às
capas um acervo de quadros em relevo de genuíno do terror.
À direita, uma tela sugeria pelo vazio a espera de nova inspiração.
Dos quadros surgiriam novas capas para seus livros.
- Viu, meu bem? Este quadro eu vou fazer contigo!
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