| |
Teresa
Cristina Cerqueira de Sousa
Piracuruca
/ PI
Causo
de pescador
Em conversas de pescadores há sempre exageros. Mas fui quase
“obrigada” a ouvi-las na adolescência. Afinal, numa
casa de sete pescadores tinha de ter sempre uma conversa de exagero!
Esta aconteceu com meu pai. O velho não dispensava uma pescaria...
Tímida e amorosa minha santa mãe murmurou um: “Que
Deus te acompanhe!”, ao tempo em que o velho enlaçando-a
pela cintura, ainda um pouco delineada, beijava-a nos lábios
(de selinho, pois nunca os vi em arroubos de paixão!) antes
de ir ao rio pescar.
Era alto, tez de um homem conservado em seus cinqüenta anos.
O olhar realçava no rosto masculino. Esses olhos eram faceiros
e eu em minha ingenuidade de meus quinze anos achava meu pai o homem
mais charmoso da cidade. Razões, tenho muitas para lembrá-lo
em algumas linhas. Deve ser saudade paterna! Mas as coisas que relato
a partir de agora são verdadeiras. Deixo os pescadores à
parte.
Existem, em minha cidade, vários locais apropriados a uma boa
pescaria à noite. Às margens do rio Piracuruca, há
frondosas árvores e grandes pedras de arenito. Por ocasião
dessas noitadas em busca de peixes que sobem e descem o rio antes
da piracema... Lá saiu o velho, tarrafa à mão,
redes de pesca em um saco de nylon e outra rede para dormir. No caminho,
pedalando sua bicicleta Monark , farol aceso... O pescador fez um
desvio do percurso natural. Foi antes à casa de (...).
O nome não vem ao causo! Não se remexe na memória
tanto! Há um local de lembranças intocáveis!
Espere! Recordei de um tipo de manga que eu costumava “pegar”
na casa de um vizinho - peito de moça! Pronto! Darei esse nome
à mulher de minha história. Redes de pesca estendidas
no sentido transversal ao curso do rio... uma fogueira acesa... peixe
assado na brasa... um gostoso banho nas águas mornas do rio
com Peito de Moça. Nus... os dois... Foram deitar na rede armada
de uma árvore à outra.
Imaginem um homem cinqüentão dentro de uma rede com uma
mulher chamada Peito de Moça! Sugestivo, hem? Pareciam ter
saído de um braseiro. Chamas entre os corpos! Fantasiem agora
peito de Moça por cima de meu pai e os gemidos dele! (...)
As cordas da rede a balançar... A ranger no tronco das árvores!
E então, ouve-se um grito rasgando a noite.
Escondidos atrás de umas árvores, na noite semiescura,
outros pescadores da região sem bem entender (?) o sucedido,
deixaram o local de observação (não tão
passiva!). Meu pai, ao chão, gritando de dor, enquanto Peito
de Moça não sabia o que cobrir com as mãos. Mulher,
às vezes, fica na dúvida se cobre a parte de cima ou
a de baixo! E o velho no chão!
- Também, Seu Batista, armar uma rede tão alta e não
verificar se tinha pedra embaixo!
“Oh! Benzinha! Agora vais cuidar das costelas quebradas de teu
marido!”
|
|
|