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Danilo
Bandeira dos Santos Cruz
Cândido
Sales / BA
A
eterna noiva
(Ao nosso irmão Fábio Ferraz de Assunção
- Binho)
A noiva
estava linda. Era a mais bela entre tantas outras que por ali estiveram.
Muitas delas preferiam inovar na aparência e optavam por vestidos
de cores e estilos variados. Diferentes modelos vistos inúmeras
vezes a cada cerimônia realizada. Cada uma das especificidades
superficiais percebidas era reflexo natural da busca pela inserção
adequada ao mundo efêmero da moda e revelavam belezas sem igual.
As pessoas que contemplaram tantas raridades, agora se impressionavam
com a extraordinária beleza reluzente, cuja resplandecência
fazia iluminar todo o ambiente, apesar da pouca iluminação.
O brilho não vinha do vestido. Este era muito simples. Tradicional,
de cor branca e calda longa. Antes da cerimônia, foram bastante
criticados, tanto o vestido, quanto quem o vestia. Mas, apesar da
imagem simplória, nunca ninguém viu beleza comparável
a daquela noiva. Era realmente de se impressionar.
Diferentemente do que manda a tradição, ela Já
aguardava o seu noivo em frente à tribuna, junto ao juiz celebrante.
Ela se mantinha de costas para o público, com um véu
branco encobrindo o seu rosto. Enquanto as pessoas tinham as suas
atenções presas à figura da nubente o noivo surgia,
sem atraso algum, vestido com um terno de cor prata, também
reluzente. A sua família cabia o sonho maior deste casamento,
com data indefinida. A sua mãe acreditava que não seria
tão cedo. Seu menino, como era chamado, precisava acompanhá-la
por tantos caminhos - pensava ela. Mas, sabia que o tempo não
pertence aos homens, apesar destes quererem controlá-lo.
Num dia 12 de um desses meses criados pelas convenções
humanas ele se casou. No momento, muitos dormiam, tantos tentavam,
mas a insônia não lhes permitia. Eu e a minha amada esposa,
5 minutos antes do selo das alianças,também nos preparávamos
para dormir. Não acreditamos quando nos disseram. Não
queríamos acreditar. Mas, era verdade. Ele, irmão nosso,
casou-se. Partiu de repente, deixando muitas saudades, corações
apertados, tristes pelo distanciamento repentino. Mas o que nos conforta
é saber que a sua noiva era Jesus Cristo, o nazareno, em quem
descansa eternamente.
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