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“...Pelas veias da cidade/ Apresento-me do avesso/ Despido de meias verdades/ Ofereço-me a qualquer preço // E o povo ávido e sedento/ Dilacera-me em mil fatias/ Absorvendo-me por completo/ Cabeça, corpo, filosofia”.
Este trecho de um dos poemas de Cartas de Adão contém a essência deste trabalho de estréia, recém-parido do prelo da ficção. Um trabalho que começou despretensiosamente, mas que depois assumiu, desavergonhadamente, seu interesse exibicionista.
O livro confessa o desejo de desnudar o autor e revelar seu Eu-Interior aos que se aventuraram até aqui e, portanto, já o despiram de seu sobretudo.
Cartas de Adão oferece ao leitor um strip-tease de pretensões metalingüísticas que expõe o íntimo de alguém que se manteve literariamente inerte por quase toda a vida, acumulando dúvidas e angústias por mais de trinta anos.
Ei-lo aqui, agora, desnudo, impávido e colosso. Sim, o autor se sente gigante como o analfabeto que, pela primeira vez, decifra o emaranhado de letras chamado palavras, e convida a saborear o gosto agridoce, a tragicômica realidade e a filosófica incerteza do saber, da irrealidade."
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