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Rio
de Janeiro / RJ
O
mergulho
Nem
lembro quantos anos tinha, mas lembro exatamente o que proporcionou
tal brincadeira, deixou marcas que a cicatrização ainda
expele o resultado do ocorrido.
Desde muito pequena, por contar com vizinhos praianos minha vida era
estar diante daquele mar maravilhoso e azulzinho, brincava na areia
não com a liberdade das crianças de minha idade, mas,
com a sensibilidade que já me fazia refletir.
Era como uma babá, tão pequena, e, tomava conta de um
garotinho um pouco meno do que eu, lindo, lourinho de olhos azuis,
que era o queridinho de todos, e eu, quando chegava da escola, que
eu gostava muito, trocava de roupa, almoçava, e, ía
direto ver o pequeno louro, que também, tenho certeza, ansiosamente
me aguardava.
Finais de semana na praia. Acho que por isso me encanto até
hoje com o sussurrar das ondas, no vai e vem. Faziamos castelinhos
desengonçados na areia, e sonhava morar com o meu príncipe
rodeada de rosas e o som das águas como se fosse um encantado
chafariz.
Uma bela manhã, fomos para uma outra porção de
água, que eu maravilhada, não entendia como tinham trazido
aquilo tudo para um lugar que não era totalmente aberto, e
nem tinha areia nem barcos nem navio passando ao longe. Foi de tirar
o fôlego!
Corríamos em volta de toda aquela beleza, meu pequeno amiguinho
não parava, tinha eletricidade em alta voltagem. Corria e me
chamava, gritava para eu acompanhá-lo na beira do marzinho
que depois fui saber que se chamava piscina, e era olímpica.
Muitos atletas frequentavam este clube, e, pessoas bem situadas financeiramente,
como o pai do futuro campeão de natação, que
eu carregava no colo.
Era como um peixinho, um peixinho louro, de cabelos quase brancos.
Nadava desde que conhecera o mundo, já nasceu nadando, acho
eu.
Fiquei apreciando e sem saber como um garotinho tão pequenino
conseguia flutuar naquela piscina tão grande.
Estava num estado completo de admiração que não
percebi quando o tio Célio, que tinha quase 2 metros de altura,
me puxou num impulso com a mão na minha cabeça que fui
direto ao fundo, e tentava voltar, batendo os pés, os braços,
e, ouvia as gargalhadas quando com tamanho esforço chegava
à tona, mas, logo a enorme mão na minha cabeça,
me afundava com facilidade, e ria, ria, ria, e eu como um peixe fora
d'água, tentava com todas as minhas forças, resistir
ao instante de pura criancice dele.
Minutos então, foram como horas, não aguentava mais,
ir até o fundo, e, quando brilhava o sol para mim, ele, alucinadamente
me devolvia ao fundo.
Confesso que foi meu primeiro mergulho olímpico. O mergulho
que me impediu de aprender a nadar. Sei até boiar, mas, a sensação
de uma grande mão na minha cabeça não me deixou
abraçar as águas do mar e talvez até dessa mesma
piscina mágica.
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