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O passageiro sedutor
A
janela está no lado aposto de sua poltrona e toda vez
que vira para observar a noite que começa a dar os ares
da graça, sente o perfume forte misturado com a pele do
rapaz. Provavelmente de uns vinte e dois anos, bronzeado. Quem
sabe um surfista indo ao encontro do litoral. Madeixas loiras e
rosto com traços marcantes, mãos másculas,
pêlos dourados na parte do braço de fora da camiseta.
Com certeza bem mais alto que ela. A curiosidade de saber mais
sobre o rapaz que adentra seus pensamentos e envolve de mistério
seus instintos a faz se apresentar ao jovem, puxar uma conversa
qualquer a fim de pôr um ponto final em seus devaneios. Muito
educado, responde suas perguntas e parece ter ficado alegre com
a iniciativa dela. Apresenta-se como Edú, ter pouco mais
de vinte e dois anos, de férias do trabalho carinhoso no
modo de falar e de elogiar. No momento em que ela falava, ele a
observava com atenção, e num gesto rápido
mexeu em seus cabelos, Glaúcia recuou um pouco surpresa,
mas ele continuou e de leve toca em seu braço, resultando
num longo suspiro e na vibbração em seu corpo inteiro.
Na medida em que a noite caía, a temperatura acompanhava,
fazendo que os dois se aproximassem cada vez mais e acabaram cochilando. Com
a primeira parada do ônibus em uma pequena rodoviária,
ela acordou e permaneceu com os olhos fechados, estava com a cabeça
no ombro de Edú, que encostou suas pernas junto às
dela. Aproveitou o sacolejar de estrada e num lento esforço
corporal segurou suas mãos e foi correspondida levando um
imenso susto. Disfarçou novamente e se encostou um pouco
mais. Sentiu o braço em suas costas, e a mão dele
passeando por sua cintura, o coração disparou num
sinal de proteção que a fez adormecer dentro daquele
abraço quente e delicado que rompia as barreiras do desconhecido
para a intimidade do tocar da pele, da libido. Acordou
com leve toque da mão do jovem em seu rosto, passeando
em seus lábios, com os cabelos caídos sobre o rosto,
inclinando-se com a boca entreaberta como se fosse finalmente beijá-la,
ele chegou a sentir seu gosto, mas ele disfarçou a ação
quando percebeu que a acordara. Gláucia acompanha seus movimentos lá fora, o ônibus
sai e o perfume de Eduardo permanece ao seu lado. |
| Publicado
na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 16 - Agosto de 2008 |