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Maria da Graça Mendes Rodrigues
Porto Alegre / RS

Meu sonho mais lindo e louco



Data do "Sonho" 26 de setembro 1999.

Eram imagens mais ou menos desconexas... Porém, tiveram uma seqüência lógica.

De início me vi percorrendo um espaço entre movimentos de terra em uma região plana, entremeada de alagamentos e obras.

Posteriormente, visualizei a maquete de uma baía, ao redor da qual seria construído um condomínio. Observei que seria composto de vários prédios de diversos tamanhos e modelos. Um detalhe chamou-me a atenção: a maquete estava rachada. Como era apenas um projeto, entendi logo não ter importância.

Um desses prédios seria a minha construção.

No momento seguinte, parecia já visualizar o prédio quase concluído. Pude verificar, então, que a estrutura básica inspirava confiança. Pairava uma dúvida sobre a segurança de alguns outros prédios. (A construtora disse que só daria explicações pessoalmente.) Perguntei se aceitariam pedidos de avaliação por escrito e disseram que sim. Avisei aos colegas que precisavam obter tais esclarecimentos.

Houve momentos em que tive a impressão de estar no meu ambiente de trabalho, telefonando para fazer reclamações juntamente com alguns colegas que também desejavam reclamar de alguma coisa.

A casa ficara totalmente pronta. Mais se assemelhava a um apartamento.

Era utilizada às vezes como "casa", outras como "local de trabalho": sentia-me rodeada de amigos e colegas.

No momento seguinte, estava em companhia de meu Amor. Como pretendia passar a noite ali, pedi aos meus companheiros que nos ensinassem o sistema de funcionamento da secretária eletrônica. Não queríamos ser interrompidos...
Era a casa dos meus sonhos!

Cheguei à janela que dava para o Mar. Eram 9 horas da manhã. Lembrei da recomendação de ir mais cedo para o trabalho naquele dia, mas nada oficial.

Olhei para o Mar novamente, sem muito entusiasmo. Tive, então, uma enorme surpresa: estava completamente límpido e cristalino, de uma cor azul turquesa luminosa e indescritível... Mais parecia uma misteriosa e magnífica piscina!

Comecei então, extasiada, a chamar todo mundo para ver aquela maravilha.

Todos se encantavam, mas não tanto quanto eu.

Conversei com uma colega para avisar que, antes de trabalhar, iria tomar um banho naquela água espetacular.

Em outro momento, observando novamente e através de outra janela, visualizei tudo com mais nitidez: havia mesmo uma grande piscina natural (ao lado da casa), com ligação direta para o Oceano.

A visibilidade era excepcional, tudo completamente transparente, como se fosse um gigantesco aquário vivo, através do qual era possível enxergar todas as espécies marinhas em seu "habitat " natural, nadando e flutuando livremente, em harmonia , num vibrante "vai e vem"...

Eufórica, comecei a chamar a todos para apreciar o espetáculo...

Alguns foram tomar banho, antes mesmo de saber que iriam nadar entre inúmeros (e diferentes) seres marinhos, vendo tudo com tamanha nitidez. Imaginei que deveriam ficar surpresos ou até mesmo, assustados.

Fiquei contemplando de longe, maravilhada, os diversos cardumes de peixes, inúmeras plantas aquáticas, moluscos e conchas multicoloridos. Chamou-me a atenção uma suposta "planta", que mais parecia de outro mundo: comia outras que habitavam às margens. Era guiada por " raízes soltas e inteligentes" que se moviam através da água, conduzindo-a objetivamente, onde necessário.

Decidi caminhar lentamente até a beira-mar. Já anoitecia. A luz que se refletia na água continuava permitindo que fossem visualizadas todas as mais incríveis espécies.

Inesperada e instintivamente, senti meu corpo se deslocar sobre o Mar. (Como se o estivesse sobrevoando.) Fiquei um tempo ali, flutuando no espaço, podendo conferir nitidamente aquele imenso espetáculo ecológico, bem do alto...

Acordei cheia de energia, completamente deslumbrada e feliz.

 
     
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Publicado na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 16 - Agosto de 2008