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O diário
Aquele
sótão guardava muitas coisas interessantes,
será que ainda teria algo lá? Subi as escadas cuidadosamente
até chegar na porta de acesso, a madeira já não
estava tão nova e rangia a cada passo dado. Quando entrei,
me deparei com uma cena que não esperava. Muitos dos objetos
ainda do meu tempo estavam lá. Encontrei a velha bola,
a boneca que mais gostava de brincar. Era a primeira que havia
ganho
de meus pais ainda pequena. Muitas e muitas coisas se acumulavam
por entre restos de móveis e poeira. Então sentei-me na velha cadeira de balanço que
minha avô usava quando vinha nos visitar e comecei a mexer
nas coisas que estavam em um baú a minha frente. Velhas
fotos de família num álbum já gasto
pelo tempo, algumas lembranças de festas de aniversário...
Ah! Essa era especial, a lembrança do aniversário
de 30 anos de casamento de meus pais. E fiquei por muito tempo
ali, sentada revivendo minhas lembranças. De
repente, encontrei algo que jurava não estar mais ali,
pensava que havia perdido na mudança para nova casa: meu
diário. Que felicidade encontrá-lo! Nem lembrava
mais o que havia escrito nele. Comecei a folheá-lo, páginas
já amareladas pelo tempo, algumas estavam só os pedaços.
Então reli calmamente aquelas folhas, recordando minha juventude,
minhas peripécias, meus amores, frases nunca ditas que só aquele
diário conhecia. Minha vida estava ali descrita naquelas
páginas amarelas. Um ruído me tirou a concentração!
Era apenas o passado que se desenhava naquele sótão
movido pelo som da minha voz ao ler aquele diário. Lembranças
de um passado feliz. |
| Publicado
na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 16 - Agosto de 2008 |