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Maria Liberdade Oliveira dos Santos
Rio Branco / AC

Era uma vez um planeta


Em algum lugar da galáxia um pai lê uma história para o filho dormir:
- Era uma vez um planeta muito distante daqui. Um lugar realmente lindo, único! Nesse planeta tinha muita água, doce e salgada. Nessas águas viviam inúmeras espécies; desde o mais simples peixe a criaturas fascinantes como golfinho, baleia, leão-marinho...
- Naquele planeta existia muita floresta. E nessas florestas havia muitas árvores, que entre outras coisas, ofereciam deliciosos frutos e aconchegantes sombras. A floresta abrigava raríssimos animais: arara, onça pintada, urso panda...
Enquanto observava as imagens no livro, o filho interrompe:
- Mas pai, não tinha ninguém pra aproveitar tudo isso?
O pai prossegue a leitura na página seguinte:
- Além da abundante água, fauna e flora, naquele planeta podia-se encontrar os habitantes mais privilegiados que a História já registrou. Eles desfrutavam de todas as maravilhas que o fantástico mundo oferecia. Pensavam que tudo aquilo iria durar para sempre...
- Mas com o passar do tempo, as criaturas daquele mundo começaram a exagerar em suas atitudes. Ao invés de pescar o suficiente para a sobrevivência da família, passaram a explorar as águas incansavelmente. Conseguiram acabar com todo o espécime aquático; seja por meio da contaminação das águas ou pela pesca predatória.
- Insatisfeitos, as cruéis criaturas aprisionavam uma grande quantidade de aves raras em apertadas gaiolas e aquelas que conseguissem sobreviver, eram traficadas. Além disso, faziam roupas e acessórios com a pele de alguns animais. Ou então, usavam indiscriminadamente esses animais nas experiências em laboratórios. E após o extermínio da fauna, foram intensificadas inúmeras ações que ocasionaram a destruição da flora. As majestosas árvores foram cortadas e transformadas em objetos de contrabando.
- Enquanto os moradores destruíam seu próprio planeta, havia alguns que tentavam impedir. Entre eles, apareceu um herói chamado Chico Mendes. Mas ele logo saiu de cena, foi morto covardemente. O trabalho dele inspirou uma heroína chamada Marina Silva, que lutou bravamente em prol da preservação daquele planeta. A guerreira venceu as batalhas por pouco tempo, pois eram muitos os que contribuíam para a destruição e insuficientes os que cooperavam para a preservação.
- As criaturas não imaginavam que cada um podia fazer sua parte. Poderiam começar mudando suas próprias atitudes e sendo um bom exemplo a ser copiado pelos outros. Não se importavam quando poluíam o meio ambiente com as fumaças das fábricas e dos automóveis; quando jogavam óleo de cozinha no ralo da pia; ou quando enchiam os rios e lagos com lixo; ou até mesmo em jogar goma de mascar, que leva cinco anos para se decompor; ou papel no solo, que dura por volta de três meses para completar sua decomposição...
- Os habitantes notaram que aquele mundo ficara diferente. E em pouco tempo, não houve mais condições de vida naquele lugar. Alguns tentaram sobreviver em outros planetas, mas de nada adiantou. Eles não conseguiram se adaptar e morreram todos.
Enquanto olhava a imagem de um mundo devastado o garoto comenta:
- Mas pai, como as criaturas deixaram que um lugar tão lindo desse fosse destruído? É muito difícil de imaginar como eles deixaram isso acontecer!
E com toda a inocência de uma criança, o infante conclui:
- Ainda bem que é apenas uma história. Onde já se viu, os próprios habitantes destruírem seu lar, só em livro mesmo! Boa noite, pai.
- Bons sonhos, meu filho.

 
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Publicado na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 15 - Julho de 2008