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Simone Schinka
Curitiba / PR

Desejos


Desejos! Que são desejos? Talvez seja algo ora inocente... ora provocante!
Talvez seja algo que invade nossa alma. Enlouquece nosso coração.
Arrepia nosso corpo. Testa nossos limites!Limites? Existem limites para desejos?Talvez não haja limites para tanto desejo...
Talvez não haja tempo para tanto desejo...Talvez não haja hora, local para o despertar desse tal desejo!

Talvez surja em meio a muita coisa. Num quarto de hotel. Numa esquina qualquer. Ou mesmo em alguma escadaria da vida...Magnífica escadaria...que não ouve...não fala...não mente, nem desmente. Apenas fica ali imóvel... inerte...
Oferecendo seu espaço para dois corpos desejosos de prazer.
O mundo vive lá fora. Carros, motos disputam espaço entre as alamedas lotadas de pessoas. Sirenes tocam... soam...ecoam. Pássaros cantam. Pessoas falam... gritam... riem.

Mais nada... notavelmente nada atrapalhava aquele momento. Aqueles minutos loucos e maravilhosos. Momentos mágicos daqueles corpos que alí permaneciam... Extravasando seus desejos...bocas loucas beijavam-se incansavelmente... Corpos unidos... mãos passeavam, percorriam... deslizavam... encontravam-se!

E o mundo lá fora continuava.Talvez pessoas estivessem nascendo, ou partindo para outras dimensões. Sons... passos... latidos... telefones reivindicavam. O sol brilhava insistentemente. Mas nada importava. Importava apenas aqueles minutos de êxtase total... De carinhos trocados, de todo desejo demonstrado... das loucuras... da volúpia...
Talvez da vergonha... do medo!

Os andares mudavam. A vida continuava no mundo lá fora. Mas ali naquele mundo a escadaria continuava companheira... fiel. Continuava a testemunhar todo desejo incontrolável. Continuava a testemunhar a mudança nos corpos. Lábios molhados. Seios enrijecidos. Toda a lascívia masculina. Corações disparados. Gemidos... sussurros... carinhos ousados!

E continuava a escada ali... continuava a presenciar os andares sumirem.
Acabava-se também o tempo. O tempo daqueles corpos sedentos de prazer. Enlouquecidos de desejos. E por fim presenciou a separação daqueles dois seres extasiados, perplexos de todo desejo ali vivido. Desejos esses ora sonhados... ora vividos... ou somente lembrados!

 
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Publicado na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 15 - Julho de 2008