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Claudio
Roberto da Silva
Coronel Fabriciano
/ MG
Só
mais uma tragédia romântica
Era uma vez, talvez seria melhor dizer "era uma outra vez",
porque a primeira vez já havia acontecido, e esta história
é só a continuação de uma primeira vez,
que deveria ser sempre contada, mas é sempre omitida, e conseqüentemente
esquecida, mas o fato é que aconteceu e sempre acontece.
Aconteceu que depois do "felizes para sempre" a bela princesa
estava num dia de sol escaldante, em mais um verão daquele
final de século XIX. Tevê ligada, a filha mais nova assistindo,
enquanto as outras quatro se dividiam entre os afazeres da casa. De
repente o príncipe aparece, montado em sua esplendorosa bicicleta
branca. Ele era belo como um deus negro, seu olhar se perdia no horizonte,
lembrara daquele dia duro e difícil que enfrentou,batendo de
porta em porta, em busca de emprego.
Outra vez de repente... uma barata, é...Uma nojenta e asquerosa
baratinha surge justamente no momento em que os dois se abraçariam
por amor e saudades.
A bela princesa, depois de se assustar com a barata nojenta, que o
herói prontamente esmagou com seu chinelo encantado, se enraiva
e começa a xingá-lo. As crianças a tudo escutavam.
Ele vai embora; para os dois aquilo fora o fim. Procuraram um advogado
na defensoria pública, as duas filhas maiores ficaram com o
pai e as menores com a mãe, pedem o divórcio e nunca
mais se vêem.
Análise:
- O herói guerreiro é o pobre desempregado
- A heroína romântica é a mãe sofredora
- O terrível vilão, a barata nojenta
- O que seria uma singela "estória", passa a ser
uma "história"
Moral da história: Devemos fugir de nossas baratas.
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