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Ricardo
Santos
São
Paulo / SP
Lembranças
da XV de Novembro
Até os meus 15 anos, vivi na XV de Novembro. Tempos felizes.
Eu adorava ver o bonde sempre cheio e o vaivém de pessoas.
Naquele tempo, a gente se sentia dono da rua. Uma extensão
de casa. Não é como hoje que os veículos são
os donos. Com meu pai, fui muitas vezes à Alfaiataria Volponi,
em seguida, íamos à Charutaria comprar cigarros e à
Confeitaria Paulicéia, que guardo boas recordações.
Ainda sinto o doce sabor do chocolate de licor e nozes. Hum, dá
água na boca. Ah, não esqueço o enorme baleiro.
Por vezes, entupi meus bolsos com balas de menta. Aos domingos, após
a missa na São Bento, eu ficava atento à janela para
ver as famílias vindas do interior paulista passear e fazer
compras nas lojas e casas importadoras. Certa vez, numa conversa com
papai, contou-me que vivíamos a Belle Époque. Época
do auge da burguesia, que se enriqueceu com o café, se educou
e adotou um estilo de vida à parisiense. Com muito requinte...
No entorno não era diferente, ruas Direita e São Bento.
E, a elegância dos bistrôs e sua magia? É uma pena
que eles desapareceram. Não sou saudosista. Aliás, muita
coisa mudou para melhor. Outro dia fui lá. No lugar das casas
antigas, existem bancos. Incomodou-me ver tanta sujeira. Bom, o que
realmente importa é que a Avenida Paulista é a legitima
herdeira dos encantos da minha XV...
Sabe de uma coisa, maneiro mesmo foi reavivar minha meninice e poder
ouvir ao longe o barulho da garotada correndo pela praça ao
sair do Caetano de Campos. Presente como esse, a gente nunca esquece!
Ainda bem que temos uma memória fantástica para registrar
esses momentos maravilhosos de nossas vidas. São minhas memórias,
por isso, eu as guardo com muito carinho!
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